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Dar as boas-vindas a um ano nunca foi tão relevante. É verdade que ainda temos muitas dúvidas do que estar por vir, política internacional em processo de realinhamento, teremos mudanças no Congresso e, é claro, as incertezas provocadas pelo covid-19. Mas quero começar falando de conquistas.

Apesar das grandes perdas que marcaram 2020 e das crises econômica, social e política, vejo que o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal se estabeleceu enquanto entidade representativa do setor, promoveu discussões internas relevantes e se posicionou sempre que preciso.

Por exemplo, lá no começo da pandemia, quando muitos mercados foram fechados e a nossa produção ficou parada, sem ter como ser escoada, o Fórum se articulou politicamente e, com o apoio de outras entidades, conseguimos prorrogar o prazo das licenças de exploração para que os investimentos feitos não fossem perdidos.

Logo em seguida, em maio, o Sinaflor foi suspenso a pedido do MPF, deixando milhares de famílias e de produtores madeireiros legais sem poder trabalhar em decorrência de decisões extremistas e sem conhecimento da realidade sobre as atividades sustentáveis florestais.

Nos dedicamos integralmente para reverter a situação por meio de seus dirigentes e de todo o corpo técnico que compõe a entidade, com ações políticas e judiciais.

Em julho, tivemos uma boa notícia: o Conama aprovou a alteração na Resolução 411/2009 para facilitar e unificar o sistema de nomenclatura, medidas e integração do Sinaflor aos sistemas eletrônicos estaduais. A medida trouxe mais segurança aos produtores, que muitas vezes tinham sua produção indevidamente barrada por incoerências no sistema de identificação.

Na reunião realizada pelo Fórum para apresentar o Sinaflor +, em agosto, o Fórum contou com a presença do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que destacou a importância do setor para geração de renda e desenvolvimento da região de floresta. No mês seguinte, participamos da audiência pública realizada pelo STF para discutir as mudanças climáticas e a extinção do Fundo Clima. Em uma apresentação inédita, pude mostrar ao ministro Luís Roberto Barroso o modelo sustentável de exploração florestal adotado pelos empresários e produtores legais na Amazônia Brasileira.

Essas ações políticas têm sido fundamentais para apresentar nossa entidade como a representante formal e institucional do setor de base florestal e, com isso, estamos ganhando espaço e lugar de fala nos importantes fóruns de discussão.

Este trabalho é feito em paralelo às atividades técnicas, que também foram destaque em 2020. Nos aproximamos do Ibama e dos principais órgãos estaduais de fiscalização, temos participado das reuniões para discutir o aprimoramento do sistema de fiscalização e de rastreabilidade e sempre que um problema é identificado conseguimos atuar de forma rápida para obter informações e prestar esclarecimento aos associados.

Tudo isso ainda é só o começo, sabemos disso. Tenho consciência do longo trabalho que temos em busca do reconhecimento da classe e da descriminalização de nossa atividade. Nosso objetivo é mostrar a todos a grandeza de nosso trabalho, nossa importância na geração de emprego e renda no mais profundo interior do nosso país e, acima de tudo, nossa contribuição para conservação da floresta.

Quero agradecer aqui a todos os associados pela confiança em nosso trabalho, pela dedicação em buscar soluções junto a nós e por não cessar esforços políticos e financeiros para manter o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal ativo. Agradeço também à nossa equipe técnica e colaboradores que estiveram junto conosco em 2020.

Que 2021 seja mais leve, porém tão importante e significativo para nossa entidade quanto foi 2020.

Frank Rogieri Souza de Almeida
Presidente do Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal