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Manejo Florestal

Cipem MT reforça legalidade do mercado florestal mato-grossense

Com o objetivo de explicar os fatos acerca da sustentabilidade da produção e comercialização de madeira nativa do Estado de Mato Grosso, o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeiras do Estado de Mato Grosso (CIPEM), publicou nesta terça feira (24), documento técnico apresentando a transparência do segmento, possibilitando o conhecimento sobre a execução do manejo e também panorama geral sobre parcerias e esforços empreendidos por todos os atores envolvidos, entidades representativas, governo estadual, órgãos de comando e controle, iniciativas de promoção do mercado sustentável em prol da garantia da licitude da atividade.

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O setor de base florestal possui particularidades próprias que, muitas vezes, pela falta de esclarecimento adequado, acaba sendo mal interpretado. Essa confusão dos fatos quase sempre resulta em prejuízos de todas as ordens, mas o principal agravante com certeza é a visão errônea em sua reputação, explicou o presidente do CIPEM, Rafael Mason.

Ele destacou que é importante saber que ao longo dos anos, o setor cada vez mais investe em melhorias com foco na perenidade da atividade, buscando novas tecnologias nos processos construtivos e principalmente pensando em proporcionar segurança para quem adquire os produtos florestais oriundos do manejo florestal sustentável. “Nesse sentido destacamos o mais recente investimento em segurança, a cadeia de custódia, ou seja, a rastreabilidade trazida pela publicação da Resolução Conama nº 497, de 19 de agosto de 2020, com a integração entre os sistemas de controle nacional (Ibama) e estadual (Sema/MT)”, exemplificou.

O diretor-executivo da entidade, Valdinei Bento dos Santos, detalhou que a Cadeia de Custódia é o registro documental do percurso da madeira, desde a floresta até seu destino. Com isto, é possível assegurar que, ao fiscalizar a madeira, seja em tora ou serrada, o agente interessado possa fazer o caminho inverso até a floresta, no local onde a árvore foi retirada, e comprovar que aquele produto ou subproduto foi colhido de maneira sustentável, garantindo a perpetuação das florestas em pé. “Por conta disso, pensar em um “controle por DNA”, conforme veiculado nas mídias, ou de qualquer outro tipo, não trazem nenhum assombro ao setor organizado e idôneo. Inclusive, o maior intento do setor é que haja efetiva diferenciação entre aqueles que trabalham de maneira legal dos ilegais, e que estas práticas ilícitas sejam coibidas e cessadas”, disse.

O CIPEM incentiva e fomenta pesquisas que tragam melhorias e inovações ao setor de base florestal, segundo Mason e, acima de tudo, preza para que estes estudos sejam realizados com o máximo de cuidado, levando e consideração todas as variáveis que dizem respeito ao objeto de estudo, bem como assegurando participação multidisciplinar nos diálogos, tendo em vista englobar representatividade e diferentes perspectivas.

Exemplo dessa busca por melhorias é a parceria firmada entre CIPEM e a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), que desde 2019 vem realizando trabalhos para promover e valorizar o setor de base florestal mato-grossense perante o mercado internacional, especialmente a Europa.

Outro estudo que demonstra os avanços e melhorias do controle da produção florestal brasileira é trazido pelo livro “Produção Madeireira de Espécies Nativas Brasileiras – 2012 a 2017”, do Ibama, que verificou a real situação das movimentações madeireiras no Brasil. Os resultados desse levantamento colocam Mato Grosso em primeiro lugar no ranking das 10 federações que mais produziram madeira de origem legal e em conformidade com as legislações vigentes, bem como a produção, quase na totalidade, se deu por meio de Planos de Manejo Florestal Sustentável devidamente aprovados e vistoriados pelos órgãos ambientais competentes.

Em Mato Grosso, o setor de base florestal é responsável pela quarta economia, gerando cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos e abrangendo 100% dos municípios produtores e madeira no estado. Atualmente existem aproximadamente 1130 empreendimentos ativos, divididos entre indústrias e comércios, sendo a base econômica de 44 municípios. Além disso, Mato Grosso possui mais de 3,7 milhões de hectares de áreas de manejo, com perspectiva de chegar aos 6 milhões em 2030. Isto significa dizer que serão 6 milhões de hectares de floresta Amazônica conservada.

Quanto às atividades ilegais, o setor de base florestal é completamente contrário às mesmas e apoia todas as iniciativas que objetivam coibir as atividades ilícitas, visto que o impacto da ilegalidade no setor florestal é imenso sob todos os aspectos, pois: “prejudica seriamente toda a cadeia de produção madeireira responsável, a começar pelo próprio meio ambiente, o qual sofre as nefastas consequências das agressões causadas pela exploração ilícita, feita em desacordo com as regras da conservação e manutenção dos estoques florestais, já que desrespeita as próprias regras do Manejo Florestal, colocando em risco a sustentabilidade da atividade e, em consequência, do próprio setor florestal brasileiro”, disse o presidente do CIPEM.

A intenção do CIPEM com a elaboração desse estudo ressalta que nossa missão é evidenciar que a licitude é maioria e que o Estado de Mato Grosso, tanto por parte do setor produtivo e instituições privadas, quanto por parte do Governo e suas secretarias, está comprometido em mitigar esses problemas e progredir sempre alinhado com a legalidade e a sustentabilidade, ressaltando sempre a necessidade da eficiência, transparência e celeridade das investigações, bem como à punição exemplar dos eventuais responsáveis, evitando-se excessos e a divulgação de dados que nem sempre correspondem à realidade.