Fábricas de carrocerias de madeira nativa buscam fornecedores para suprir demanda

O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Carrocerias de Madeira (ABFCM), Carlos Augusto Rodrigues, participou, na última semana, da Feira Internacional da Indústria de Móveis e Madeira (ForMóbile), realizada em São Paulo, em busca de fornecedores de madeira nativa que possam atender as demandas desse mercado. A ABFCM foi fundada em 2015 com o objetivo de representar e fortalecer o segmento e possui, atualmente, 66 empresas associadas. A entidade é uma das 23 que compõem o Fórum Nacional da Atividades de Base Florestal (FNBF), cuja proposta também é atuar em parceria para defender e representar o setor relacionado à atividade florestal, perante o governo federal, entidades e sociedade em geral.

Durante a feira, Rodrigues, que também compõe a diretoria do FNBF, falou sobre o mercado da madeira nativa para a fabricação de carrocerias. Confira.

P: Qual é a situação atual da produção de carrocerias de madeira no Brasil?

R: Hoje existe dificuldade para encontrar a madeira nas espécies que as empresas estão mais habituadas a comprar. Por conta dessa dificuldade, algumas espécies registraram alta no preço; outras, simplesmente, não é possível encontrar no mercado na quantidade ideal para atender a demanda.

P: Quais são as espécies mais utilizadas pelas fábricas?

R: As empresas compram bastante o roxinho, a garapeira e o cumaru. Algumas também utilizam a maçaranduba, que atende a qualidade necessária.

P: Quantas indústrias existem nesse segmento?

R: Em todo o Brasil são 580 empresas ativas e, portanto, com potencial de compra. Destas, 130 estão localizadas no estado de São Paulo.

P: E qual é o volume de consumo médio mensal dessas empresas?

R: O consumo de madeira nativa como matéria-prima gira em torno de 5 mil metros cúbicos ao mês.

P: Como tem se comportado esse mercado e qual a expectativa para o futuro?

R: Houve uma queda de produção nos últimos anos, por conta da crise no pais, mas este ainda é um mercado muito bom, com grande potencial de compra e possibilidade de geração de negócios volumosos.

P: Quantas pessoas são empregadas, em média, nas fábricas de carrocerias?

R: Podemos dizer que essa média está em torno de 30 funcionários, mas tem fábricas muito grandes que empregam até 300 pessoas e outras menores com 10. Fizemos um levantamento recente e chegamos ao total de 25 mil empregados diretamente pelo segmento. É um universo bastante representativo.

P: Existe algum procedimento junto aos órgãos ambientais para utilização da madeira nativa nas fábricas?

R: Sim. As empresas precisam ter um pátio cadastrado no Ibama e fazer o controle de estoque a cada seis meses. Isso é necessário mesmo que a madeira seja utilizada apenas para o consumo da indústria, não envolvendo a revenda de madeira.

P: Por que esse cuidado?

R: Como se trata de uma matéria-prima que tem um rígido controle ambiental, as empresas precisam conseguir comprovar a origem da madeira e, para isso, é fundamental, manter o pátio organizado e os estoques atualizados.

Mais informações sobre o segmento podem ser encontradas no site da Associação Brasileira dos Fabricantes de Carrocerias de Madeira: www.abfcm.org.br

Daniela Torezzan – Assessoria de Comunicação FNBF